Todo mundo achava que era 'só' querer ser magra demais. Ninguém via a doença que estava, de fato, ameaçando a vida dela a cada dia que passava.
Ela comia até sentir dor física, sem fome, sem prazer, quase sem perceber que estava comendo. Depois vinha a vergonha, sempre a mesma.
A família comemorava cada refeição terminada como vitória pública. Para ela, cada comentário era um lembrete de que estava sendo vigiada, não apoiada.
De fora parece disciplina, dieta, força de vontade. Por dentro é outra coisa: uma tentativa desesperada de controlar algo quando tudo mais parece fora de controle.
Ela tinha meses de progresso real. Um dia ruim e sentiu que tinha voltado à estaca zero. Não tinha — mas precisou de alguém para lembrá-la disso.
Ele restringia comida e treinava compulsivamente há dois anos. Três médicos diferentes descartaram transtorno alimentar só porque ele era homem.
Ela mantinha peso considerado 'normal'. Ninguém suspeitava do ciclo que acontecia, em segredo, várias vezes por semana, atrás da porta do banheiro.
Ele passava horas pesquisando ingredientes, recusava convites por causa da comida servida, e todo mundo elogiava sua disciplina. Ninguém via o sofrimento por trás.