Cansaço passa com um fim de semana. O que ela sentia não passava com nada. Ela dormia dez horas e acordava tão exausta quanto tinha deitado.
Ela escolheu enfermagem porque queria cuidar de gente. Cinco anos depois, mal conseguia sentir empatia por um paciente novo, e isso a aterrorizava.
Ela achou que trabalhar de casa ia dar mais qualidade de vida. Um ano depois, não conseguia mais dizer em que momento do dia o trabalho começava ou terminava.
Ela amava os filhos e não aguentava mais um dia igual. As duas coisas eram verdadeiras ao mesmo tempo, e ninguém tinha avisado que isso era possível.
Ela ignorou meses de dor de cabeça, insônia e estômago embrulhado, achando que era só cansaço passageiro. O corpo estava contando uma história que ela não quis ouvir.
O atestado terminou. Ela estava melhor, mas o medo de voltar ao mesmo lugar que a esgotou era quase do tamanho do burnout em si.
Não teve crise, não teve choro, não teve nada de cinematográfico. Ela só ficou olhando para a tampa fechada por quarenta minutos.
Ninguém te avisou na posse que a fortaleza cobraria pedágio em pedaços de você mesmo. Uma carta sobre a sobrecarga, a coleira das gratificações e o preço que o servidor honesto paga pelo silêncio.
Não é preguiça. Não é fraqueza. Burnout é esgotamento real — e tem nome, sintomas e saída.