Ela amava intensamente e temia perder com a mesma intensidade — e esse medo, sem querer, produzia exatamente o afastamento que ela mais temia.
Amor intenso um dia, raiva intensa no outro, pela mesma pessoa, pelo mesmo motivo pequeno. Não era manipulação — era o próprio transtorno se manifestando na relação.
Ela já tinha tentado três terapias diferentes sem resultado. A quarta foi desenhada especificamente para o padrão que ela vivia — e fez toda diferença.
A família reagia com pânico e depois com raiva. Ninguém tinha perguntado o que aquilo estava, de fato, fazendo por ela naquele momento específico.
Os mesmos sintomas que, numa mulher, levariam à investigação de borderline, nele foram tratados por anos como 'problema de temperamento' e nada mais.
Não era tristeza, não era tédio. Era uma sensação de estar oca por dentro, mesmo cercada de gente que a amava — e ela não sabia como explicar isso a ninguém.
Gastos que não conseguia explicar depois. Decisões tomadas em minutos que mudavam o rumo de meses. Ela sabia que aquilo era um padrão, mas não sabia que tinha nome.
Explosões de raiva por motivos que, minutos depois, ela mesma reconhecia como pequenos. O julgamento vinha rápido. A compreensão sobre o que realmente estava acontecendo, quase nunca.
Ela ouviu de mais de um profissional que era 'difícil de tratar' e 'manipuladora'. Anos depois, encontrou alguém que explicou que aquilo era, na verdade, um transtorno com tratamento eficaz.