Além da dor da perda, vinha uma pergunta que não parava: 'o que eu poderia ter feito diferente?'. Essa pergunta, sozinha, pode consumir anos se não for trabalhada.
Todo mundo perguntava como ela estava 'de modo geral'. Ninguém perguntava especificamente como ela estava se sentindo em relação ao primeiro Natal sem a mãe, que se aproximava rápido.
Depois de anos cuidando do pai com doença degenerativa, a primeira sensação depois da morte foi alívio. Ela levou meses para conseguir admitir isso sem se sentir monstruosa.
Ela perdeu a gravidez com dez semanas e ouviu 'ainda bem que foi cedo'. Para ela, não tinha sido cedo. Já era um filho, e a perda era real.
A mãe dela tinha Alzheimer avançado. Ela chorava a perda de alguém que ainda respirava no quarto ao lado — e se sentia culpada por isso, sem saber que tinha nome.
Já fazia mais de dois anos. A dor continuava tão intensa quanto no primeiro mês, e ela começou a se perguntar se havia algo errado com ela, não apenas com a perda.
Ela chorou por semanas a perda do gato que teve por 15 anos. As pessoas ao redor pareciam achar que aquele luto tinha prazo de validade curto.
Faz um ano e ainda dói igual. As pessoas pararam de perguntar como você está. O silêncio dos outros não significa que a dor também parou.
Disseram para o menino que a avó tinha 'ido dormir para sempre'. Meses depois, ele desenvolveu medo intenso de dormir, com receio de nunca mais acordar.