Ela entregava tudo no prazo, sorria nas reuniões, respondia mensagens. Chegava em casa e não conseguia nem tirar o sapato antes de deitar no chão.
Ela sabia que precisava comer. Sabia até o que fazer. Simplesmente não conseguia reunir energia para ficar de pé na cozinha por vinte minutos.
Ele não chorava. Ele explodia por qualquer coisa pequena, e todo mundo achava que era só um gênio difícil. Era depressão, disfarçada de irritação.
A família achava normal ele estar mais quieto, comer menos, dormir mal. Ninguém pensou que pudesse ser depressão, porque 'idoso é assim mesmo'.
Ele era o mais dedicado da equipe, sempre o último a sair. Ninguém suspeitava que ele preenchia cada hora justamente para não sobrar tempo de sentir.
Tristeza tem motivo e passa. O que muita gente descreve é outra coisa: um apagamento de vontade que não precisa de motivo nenhum para continuar.
Ela gravou, ouviu de volta a própria voz pedindo ajuda, e apagou. Fez isso onze vezes na mesma semana.